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A Anunciação da Umbanda
A Umbanda não nasceu para os pobres. A Umbanda não nasceu para os negros. A história que você conhece não é a história completa. Neste livro sobre a origem da Umbanda, você encontra a versão oficial (Caboclo das Sete Encruzilhadas, Zélio de Moraes) e a pesquisa acadêmica que revela uma origem bem diferente da que se conta, com base nos estudos da antropóloga Diana Brown. Um livro que também enfrenta de frente o preconceito da igreja católica e das igrejas neopentecostais contra a Umbanda. Para quem não tem medo da verdade completa.

Leia um trecho do e-book

A história da Umbanda, muitas vezes contada de forma simples, esconde vários detalhes interessantes e importantes. Um estudo pioneiro da antropóloga americana Diana Brown revela uma visão diferente sobre a religião, que muitos não conhecem.

Durante o doutorado na Universidade Columbia, Diana Brown se interessou pelas religiões afro-brasileiras. Com uma bolsa da Fundação Ford, ela viajou ao Rio de Janeiro e passou cinco meses morando no Jacarezinho, uma das maiores favelas da cidade.

Quando chegou ao Rio de Janeiro em 1966, ela acreditava que a Umbanda era uma prática religiosa voltada para os negros pobres. No entanto, durante sua pesquisa, ela se surpreendeu ao descobrir que a Umbanda não era uma religião das classes baixas, mas algo bem presente entre a classe média.

A Umbanda não nasceu para os pobres

A Umbanda, quando surgiu, foi majoritariamente adotada por membros da classe média, incluindo pessoas que trabalhavam no comércio, na burocracia do governo, nas forças armadas, além de profissionais como jornalistas, professores e advogados. Isso desafia a ideia de que a Umbanda foi criada exclusivamente para atender aos negros e pobres.

A Umbanda não nasceu para os negros

A antropóloga cita uma foto dos fundadores da Umbanda, tirada em 1941, onde 15 dos 17 homens que aparecem na imagem são brancos, com apenas dois mulatos e nenhum negro. E também nenhuma mulher.

Entre os fundadores, muitos eram antigos praticantes do espiritismo. Mas a rigidez das práticas e o tom excessivamente teórico do espiritismo não os satisfaziam mais.

Centros de Macumba

Em busca de algo mais dinâmico e prático, passaram a frequentar os centros de Macumba nas favelas do Rio e de Niterói, onde encontraram um tipo de espiritualidade mais intensa, com a incorporação de espíritos e divindades de origem africana e indígena.

No entanto, esses mesmos ex-kardecistas, ao se envolverem com a Macumba, também não aceitavam tudo que viam. Eles não gostavam de certos rituais, como os sacrifícios de animais, nem da presença de espíritos como os Exus, que eram considerados “negativos”.

Deste modo, apesar de buscarem um culto mais vibrante, também queriam se distanciar das práticas de feitiçaria, “embranquecer” e “limpar” a religião de tudo o que fosse visto como “africano”. Isso gerou a ideia da “Umbanda Branca”, uma versão mais palatável da religião, que misturava a mediunidade e a reencarnação do espiritismo kardecista com o catolicismo e os princípios da caridade.

Os rituais foram adaptados para agradar aos novos adeptos, afastando-se dos sacrifícios de animais, das danças e toques de tambores, e principalmente da invocação dos Exus. Estes últimos, que antes eram vistos com desconfiança, foram reinterpretados e hoje são compreendidos de forma mais positiva.

Como vamos ver em seguida, a Umbanda é uma religião cheia de camadas, com uma história rica e complexa, que mistura a influência da classe média, o espiritismo e as tradições afro-brasileiras.

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