

Preste atenção no que canta. A boca também é parte do ritual. Neste quarto livro da série “Umbanda, Muito Prazer!”, você entende os rituais, gestos e saudações da Umbanda: Bater Cabeça, Cruzar, Defumação, Banho Ritualístico, Coroação, Pontos Cantados, e muito mais, com um índice extenso pensado para consulta rápida. Um guia de referência para médiuns e iniciantes entenderem o significado do que fazem e cantam no terreiro.
Leia um trecho do e-book
Os rituais são muito mais do que gestos repetidos. Eles são caminhos, feitos de palavras, movimentos, pensamentos e intenções, que nos ajudam a nos conectar com o sagrado. Na Umbanda, cada ritual é uma ferramenta viva que nos aproxima dos Guias espirituais e dos Orixás.
É importante entender que esses rituais não são exigência dos protetores espirituais. Eles são, na verdade, um apoio fundamental para nós, seres humanos. Somos nós que precisamos de símbolos, de gestos, de silêncio e de reverência para conseguir entrar em sintonia com aquilo que está além do mundo físico.
Antes de mergulharmos nos gestos, nos sinais e nos significados de cada saudação, é essencial compreender algo: os rituais da Umbanda não são meras formalidades. Eles são instrumentos vivos, carregados de sentido e poder.
Alerta da autora
Antes de entrar nos rituais, nos gestos e nos significados que este livro traz, é preciso dizer algo que poucos dizem com clareza.
Na Umbanda, cantamos pontos. Cantamos desde o início da Gira até o encerramento, e muita coisa passa por nossa boca no automático, sem que percebamos o que estamos dizendo.
Um exemplo concreto:
“Bravo, Senhor, bravo, seu Zé Pelintra chegou. Matou pai, matou mãe, matou padrinho e madrinha. Matou um cego na estrada e um aleijado na linha.”
Esse ponto existe, é cantado em terreiros, e a maioria das pessoas que o canta nunca parou para pensar no que diz. Quando perguntadas, respondem que nunca tinham percebido. É exatamente esse o problema.
A Umbanda é uma religião de caridade, amor e serviço. Glorificar violência contra pais, padrinhos, um cego e um aleijado não tem fundamento algum dentro da doutrina umbandista, independentemente de qual entidade esteja sendo saudada. Zé Pelintra é um guia de luz. Não mata ninguém.
Pontos como esse existem porque qualquer pessoa pode compor um ponto, e nem toda composição tem critério, respeito ou conhecimento doutrinário. São os chamados Pontos Terrenos. Quando feitos com consciência, são válidos e acolhidos pelas entidades. Quando feitos sem fundamento, com letras sem lógica ou que contradizem os princípios da religião, são simplesmente pontos ruins, e cantá-los no automático não os torna melhores.
Preste atenção no que canta. A boca é parte do ritual.