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Capa do livro Exu, Pombagira e Exu Mirim
Décadas de desinformação criaram uma camada tão espessa de equívocos que muitos umbandistas chegam a ter vergonha dos próprios guardiões. Neste livro sobre o que a Umbanda realmente ensina a respeito dos guardiões da esquerda, você entende Exu, Pomba Gira e Exu Mirim, os princípios de força e vontade, bebidas e oferendas, e encontra um extenso Guia de Dúvidas com temas como preconceito, mediunidade, cores de velas, o que pedir e como pedir, e intolerância religiosa. Para quem frequenta terreiro há anos, mas nunca teve coragem de perguntar, e para quem quer saber se o que ouviu falar é verdade.

Leia um trecho do e-book

Há temas que qualquer pessoa que fale sobre Umbanda em público aprende a reconhecer pela frequência com que surgem. Exu, Pomba Gira e Exu Mirim estão sempre entre eles, não pela simples curiosidade, mas pela quantidade de mal-entendidos que os cercam. Décadas de desinformação, sincretismo forçado e preconceito religioso criaram uma camada tão espessa de equívocos sobre essas entidades que muitos umbandistas chegam a ter vergonha delas. E essa vergonha diz muito: não sobre os guardiões, mas sobre o quanto ainda falta aprender.

Este livro foi escrito para quem quer entender de verdade. Para o filho de fé que frequenta terreiro há anos, mas nunca teve coragem de perguntar certas coisas. Para quem chegou à Umbanda recentemente e se depara com práticas que não consegue explicar. Para quem simplesmente ouviu falar mal dessas entidades durante toda a vida e quer saber se é verdade.

Força e vontade: dois princípios que movem a vida

“Exu fez uma casa sem porteira e sem janela. Ainda não achou morador pra morar nela.” (Ponto cantado)

Imagine um domingo preguiçoso: você enrolado no cobertor, o apartamento frio, um filme incrível passando na televisão. De repente, surge uma vontade quase irresistível de comer uma fruta, manga, por exemplo. Mas não tem manga em casa. A mais próxima está a quatro quadras, numa banca de esquina que provavelmente ainda está aberta.

O que você faz?

Se ficar no cobertor, vai passar a tarde inteira pensando em manga, sem nunca prová-la. Se levantar, se trocar, enfrentar o frio e caminhar até a banca, a manga é sua. O desejo existia nos dois casos. O que mudou não foi o quanto você queria, foi se a vontade de agir acompanhou esse querer.

Essa distinção simples ajuda a compreender dois princípios espirituais trabalhados na Umbanda por Exu e Pomba Gira. O desejo, a atração, a expectativa, o anseio que pulsa por dentro, pertence ao campo de Pomba Gira. A vontade, a força que põe o corpo em movimento, que tira do lugar e sustenta a ação até o fim, pertence ao campo de Exu.

Um sem o outro não chega a lugar nenhum. O desejo sem vontade se perde em fantasia. A vontade sem desejo não tem direção. Por isso, na compreensão doutrinária, essas duas forças são inseparáveis.

Exu, o Senhor do Livre-Arbítrio

Exu é trabalhador. Não guardião ornamental, nem figura decorativa, nem entidade de cerimônia. Trabalhador, no sentido mais concreto e exigente da palavra. Atua nas regiões do plano espiritual onde outros guias não chegam, lidando com energias que a maioria não suporta, em situações que exigem firmeza, precisão e profundo conhecimento do ser humano por dentro.

Exus, Pomba Giras e Exus Mirins trabalham na escuridão em benefício da Luz. Isso não é contradição, é descrição de uma função necessária. Há sofrimento, há desequilíbrio, há sombra no mundo e no ser humano. Alguém precisa ir até lá.

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