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Capa do livro Aruanda: A Gira de Umbanda Revelada
Já desencarnado, Joel volta à Terra pela primeira vez com seus novos companheiros, e vê o que nenhum olho vivo consegue ver: os Guardiões protegendo o terreiro.
Neste romance espiritualista sobre Umbanda, você acompanha Joel numa jornada de queda e recomeço, até se tornar aluno espiritual e testemunhar, do outro lado do véu, como Exus e Pomba Giras protegem uma Gira de Umbanda contra obsessores, Demandantes e espíritos perturbados. Ficção e doutrina se entrelaçam numa história sobre terreiro, Guias espirituais e a luz que aparece quando tudo parece perdido.

Leia um trecho do e-book

Atravessando as barreiras das dimensões, o grupo avançou deslocando-se devagar e coordenadamente pelo espaço, movendo-se em uma trajetória suave e inclinada. Cada membro do grupo, irradiando sua própria luz e energia particular, chegou em harmonia à frente da Casa de Caridade Pai Antônio da Mata, que se encontrava em uma cidade à beira-mar.

De cima, Joel já avistou o imóvel discreto que abrigava o Terreiro, encravado em uma rua sem asfalto, marcada por uma camada de terra compacta que testemunhava o passar dos anos. A casa em si era modesta, de alvenaria desgastada pelo vento salgado do mar e do tempo. Suas paredes externas tinham pintura desbotada e pequenas rachaduras. As casas à sua volta eram espalhadas ao acaso, algumas em melhor estado que outras, revelando a vida modesta nesse canto da cidade.

Postes com iluminação fraca margeavam a rua, lançando uma luz débil e amarelada. Entre os postes, uma fila de carros estacionados à beira da rua denunciava a espera paciente dos que ansiavam conversar com os Guias. A cena se desenhava como um reflexo das esperanças que permeavam o coração daqueles que para ali se dirigiram.

Enquanto homens e mulheres aguardavam, pacificamente, em fila, a abertura do portão da Casa de Caridade, os Guardiões já estavam posicionados nas ruas próximas ao imóvel. Dezenas de Exus e Pomba Giras circulavam apressadamente, cada um com seus encargos e responsabilidades para fazer a Gira transcorrer sem problemas.

Assim que tocaram o solo, os Exus do grupo se separaram imediatamente, cada um seguindo em direção às vielas e esquinas ao redor do Terreiro, cientes de suas atribuições individuais.

— Vamos nos separar agora, pois nós, Guardiões, precisamos assumir nossas posições para evitar a proximidade de obsessores que já se avizinham. Eles buscam impedir que a Gira ocorra normalmente, pois não lhes interessa que seus dominados se libertem de suas amarras. Os obsessores procuram influenciar negativamente os participantes da Gira, visando sabotar o trabalho espiritual, causando desordem e conflitos. Por essa razão, é fundamental que, em toda Gira de Umbanda, os trabalhos sejam realizados com métodos de proteção e com a orientação dos Guias e Guardiões do Terreiro. Isso garante que essas entidades insensatas não interfiram no processo e na segurança dos participantes.

Como se estivesse lendo a mente de Joel, Exu Tiriri Lonan se apressou em esclarecer:

— De fato, vocês não estão vendo os obsessores porque eles ainda não estão em seus campos de visão, mas sabemos que se aproximam devido à baixa vibração emanada por eles.

Poucos minutos depois, já se avistava ao longe uma pequena multidão de desencarnados barulhentos e hostis.

Do lado de fora do Terreiro, havia uma espécie de rede de energia fechando todas as portas e janelas do imóvel, semelhante a uma teia de aranha que servia de proteção contra entidades perturbadoras. Percebendo a expressão de perplexidade dos alunos do grupo Filhos da Lua, Caboclo Sete Flechas, que estava acompanhando os estudantes, tratou de esclarecer:

— Essa rede de proteção energética tem como objetivo impedir a entrada de irmãos desajustados no Terreiro durante a Gira, pois seriam nocivos devido às suas tentativas de causar perturbações e interferências. Em especial, os Exus buscam evitar a entrada dos “Demandantes”, espíritos que procuram demandar justiça ou vingança através da incorporação em médiuns, muitas vezes desviando o trabalho espiritual de seu propósito original.

— Espíritos Demandantes? Nunca ouvi falar esse nome antes — disse Nara.

— Os “Demandantes” são irmãos e irmãs que, por diferentes razões, continuam presos a sentimentos de injustiça ou desejos de vingança de quando estavam “vivos na carne”. Eles tentam se comunicar ou influenciar os vivos para resolver essas questões pendentes. Muitas vezes, buscam se manifestar através da incorporação em médiuns durante as Giras. Isso pode desviar o foco do trabalho para questões pessoais desses espíritos, em vez de ajudar todos os presentes. Por isso, os Exus criam uma proteção ao redor do Terreiro, para manter essas influências afastadas e garantir que a Gira siga seu propósito de trazer luz e ajuda a todos.

— Isso era bem comum em alguns Terreiros que eu visitava, tchê! — revelou Nara.

— Infelizmente, ocorre com frequência em muitas casas de Umbanda, devido ao despreparo dos dirigentes. Os Demandantes manifestam-se de maneira insistente e, muitas vezes, perturbadora, buscando a atenção dos médiuns ou dos frequentadores.

— Mas que barbaridade... por que eles fazem isso?

— Esses irmãos geralmente têm demandas pessoais não resolvidas de sua vida terrena. Outros têm questões psicológicas que os perturbam.

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