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Defumação não é superstição, é um dos rituais mais antigos da humanidade. Neste livro de defumação na Umbanda, com ervas, resinas e receitas passadas de terreiro em terreiro, você aprende o que é a defumação, a vibração de cada erva e como preparar a defumação certa para os Pretos-Velhos, Caboclos, Crianças, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Exu e Pombogira. Conhecimento de tradição oral, reunido com respeito, para limpar o ambiente e firmar sua fé.
Leia um trecho do e-book
Antes de tudo, uma palavra: defumação não é superstição, não é folclore e não é coisa de ignorante.
É um dos rituais mais antigos da humanidade, presente em praticamente todas as civilizações conhecidas, e sobreviveu milênios porque funciona.
A queima de plantas aromáticas é documentada no Egito há mais de quatro mil anos.
Os faraós ofereciam madeiras perfumadas e resinas aos seus deuses; os sacerdotes untavam estátuas com óleos e incensavam os templos pela manhã. O mais famoso incenso egípcio era o kyphi, queimado nas cerimônias religiosas e também para aliviar a ansiedade e induzir o sono.
Os sumérios queimavam bagas de zimbro nos altares da deusa Inanna.
Os babilônios continuaram o costume nos altares de Ishtar.
Os hebreus ofereciam incenso no Templo de Salomão, oferta tão honrosa que cada sacerdote só podia prestá-la uma vez na vida.
O catolicismo usa o turíbulo até hoje nas missas solenes; os budistas e hinduístas acendem incenso há pelo menos cinco mil anos.
Os povos indígenas das Américas queimam suas plantas de poder para cura, proteção e contato com o sagrado.
Jesus recebeu incenso como presente no seu nascimento.
O Islã, embora não cite o incenso no Corão, tem tradição consolidada de seu uso.
Quem critica a Umbanda pela prática de defumar o faz por desconhecimento, e quem desconhece a história universal do incenso não tem autoridade para opinar sobre o tema.
O que acontece quando se queima erva sagrada
Quando colocamos ervas sobre o carvão em brasa, liberamos em poucos minutos a energia que aquela planta acumulou ao longo de toda a sua vida: a luz do sol, a água das chuvas, os minerais do solo, o ar que “respirou”. Essa energia, liberada em forma de fumaça, age no ambiente de maneira que a ciência já consegue detectar, através da fotografia Kirlian e de estudos sobre campos eletromagnéticos de seres vivos, e que a espiritualidade ensina há muito mais tempo.
A Vibração das plantas
As ervas têm campos energéticos próprios, cada uma com sua vibração particular.
Algumas são agressivas, corrosivas para as energias negativas, são as chamadas ervas quentes, ou ervas bravas, como a arruda, a guiné e a comigo-ninguém-pode.
Outras são equilibradoras, mornas, que restauram o que foi perturbado, alecrim, alfazema, sálvia.
Outras ainda são mais suaves, voltadas para atrair: são as ervas frias, usadas para a prosperidade, o amor, a espiritualidade, louro, manjericão, jasmim.
Na Umbanda, cada erva está ligada a um Orixá por analogia vibratória
A vibração da erva e a vibração da divindade se correspondem. Não é uma ligação arbitrária, estabelecida por decreto humano, é uma afinidade que os antigos umbandistas observaram ao longo de gerações, confirmada pelos Guias espirituais que trabalharam nos terreiros.
Isso explica por que a defumação não é apenas uma questão de aroma. O cheiro é uma consequência, não o objetivo. O que a fumaça faz, concretamente, é modificar o campo energético do ambiente, dissolvendo o que é denso, negativo, perturbador, e preparando o espaço para receber o que é luminoso.
Incenso e defumação: a diferença que importa
Os dois termos são usados como sinônimos no dia a dia, e não há problema nisso. Mas, para quem quer entender a prática com profundidade, vale conhecer a distinção.
A palavra incenso vem do latim incendere, que significa queimar. Em sentido amplo, incenso é qualquer substância queimada para produzir fumaça perfumada, inclui varetas, tabletes, pastilhas e resinas. Seu uso pode ser puramente estético: perfumar o ambiente, criar uma atmosfera agradável, favorecer a meditação ou o relaxamento.
A defumação é o uso ritualístico e intencional da fumaça para fins espirituais: limpar o ambiente de energias negativas, afastar espíritos perturbadores, preparar o espaço para o trabalho espiritual, ou atrair correntes positivas. A fumaça pode ser perfumada ou não, o que importa é a intenção e o conhecimento de quais ervas usar para cada finalidade.