

Além dos sete Orixás mais conhecidos, existem outros pontos de força da natureza pouco falados na Umbanda. Neste livro, você conhece Exu, Omulu/Obaluaiê, Nanã Buruquê, Ossain, Oxumarê, Euá, Logunedé, Obá, Tempo/Irokô e Ibeji: Orixás presentes em alguns terreiros, mas menos comuns nos cultos de Umbanda. Um convite para entender essas forças espirituais com respeito, dentro da espiritualidade afro-brasileira.
Leia um trecho do e-book
Aqueles que acreditam nos Orixás devem prestar reverência e ter pensamento de respeito ao entrar na mata, diante da cachoeira, à beira da praia, frente às ondas do mar, no sopé de uma montanha, na calunga pequena, pois entrará no portal dos mundos.
Prefácio
Junto aos africanos escravizados que aportaram no Brasil chegaram os Orixás, entendidos pelo clero católico como demônios, mas portadores de uma teologia e filosofia ancestrais riquíssimas.
No Candomblé, os Orixás são compreendidos como ancestrais divinizados. Na Umbanda, são pontos de força da natureza.
Há sete Orixás mais comumente cultuados na Umbanda. Outros são reconhecidos principalmente nas roças de Candomblé, embora em alguns Terreiros também estejam presentes. Conheça neste livro os Orixás não cultuados na Umbanda.
Conhecendo os Orixás
Orixás na religião de Umbanda são compreendidos como vibrações da natureza, portanto não são deuses como conhecem os irmãos do Candomblé, herdeiros da religião africana em sua forma mais pura. Mesmo tendo concepção distinta e sendo outra religião, mencionamos aqui algumas lendas porque, além de transmitir ensinamentos e reverberar mensagens que de outra forma não seriam compreendidos, também são belíssimas e auxiliam na compreensão dessas forças espirituais.
Exu
O Intermediário. Só fale com Exu se tiver certeza do que quer.
Exu é Orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas. É o mensageiro divino dos oráculos, portões, axé, magia, tempo, força, vigor e sexo. Exu faz a guerra para trazer a paz. Atua sobre a dualidade do homem.
A palavra Exu (Èsù), em iorubá, significa “esfera”, ou seja, aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim.
Exu é sempre o primeiro
Nem todos os umbandistas entendem Exu como Orixá, mas, mesmo assim, nas Giras é sempre o primeiro a ser saudado porque representa o movimento que tudo transforma. É fato que nada pode permanecer parado porque aí não há transformação e a falta de movimentos é um sinal de morte.
Exu é sempre o primeiro passo em tudo. Na concepção da geração da vida, em sua primeira célula formada, está a vibração de Exu. Depois na multiplicação da célula a vibração passa para Oxum que vai reger o feto até o nascimento, após recebe as vibrações de Yemanjá.
É considerado o primeiro, o primogênito, o responsável e grande mestre dos caminhos, aquele que permite a passagem e o início de tudo.
A irradiação de Exu
Sua irradiação está na alteração do ânimo, na discussão, na divergência, no nervosismo, no medo, no pavor, na falta de controle do ser humano, também está na gargalhada, no riso farto, na alegria incontida, na comunicação. Por exemplo, a energia do feliz e nervoso grito de “gol” é uma manifestação da vibração espiritual de Exu porque significa o desprendimento da tensão contida no peito, é o nervoso transmutado em relaxamento.
Exu é a bagunça generalizada e o silêncio completo porque ele é a contradição. É o sim e o não, é a paixão desenfreada e o desprezo absoluto. Exu é a voz, o grito, a comunicação. É a indignação e a resignação, aquele que traz a dor e a felicidade.
Campo de Atuação
A atenção deste Orixá jamais é voltada para os costumes humanos, moralidade, regras de conduta, conveniência social, ética, nada disso interessa a Exu. Seu campo de atuação é o bem-estar das pessoas, e por vibrar as transformações mostra que cada indivíduo pode se modificar e ser feliz sendo quem é e sendo o que desejar. É a força que estimula as mudanças, independentemente de serem bem-vistas pela sociedade porque ensina o ser humano a se comprometer somente com a própria felicidade.
Exu incentiva a mudança
Exu nos mostra que há desejos naturais e necessários como comer, beber e dormir, e que há os desejos desnecessários como comer alimentos caros e dormir em lençóis de seda.
Ora, se Exu incentiva a mudança tendo como único compromisso a felicidade do ser humano, sem levar em considerações as convenções sociais, os parasitas emocionais logo definem tal força como sendo o “mal”, mas Exu só é o mal para quem teme o espelho.
Há um provérbio de Terreiro que diz que “sem Exu não se faz nada” porque é ele que organiza e constitui as forças. Exu pode ser evocado quando precisar de ajuda, quando não souber qual caminho seguir e quando não encontrar solução.